ATENO:

ESTE LIVRO FOI DIGITALIZADO PARA USO EXCLUSIVO DE PESSOAS COM DEFICINCIA VISUAL GRAVE. ISTO PORQUE ESTES CIDADOS TM DIFICULDADE DE ACESSO A LEITURA QUE VO MUITO 
ALM DA FALTA DE CONDIES FINANCEIRAS NA OBTENO DE LIVROS. AMIGO DV, POR FAVOR, SEJA CONSCIENTE E RESPEITE. NO REPASSE ESTA OBRA A PESSOAS QUE NO SO PORTADORAS 
DE DEFICINCIA VISUAL, SOB PENA DE FERIR OS DIREITOS AUTORAIS E PREJUDICAR ASSIM A NS MESMOS NO FUTURO. QUEM DIGITALIZA LIVROS SABE O QUANTO  DIFCIL ESTE TRABALHO 
E A SUA CORREO POSTERIOR. NUM MOMENTO EM QUE ESTAMOS TENTANDO COM AS EDITORAS QUE ESTES VENHAM DIGITALIZADOS E CORRIGIDOS PARA NS, NO SERIA UMA BOA QUE ESTAS 
OBRAS FICASSEM POR A PARA QUALQUER UM TER ACESSO. SUA CABEA  O SEU GUIA!


CAPTULO 21 
EMPREGO DO NUMERAL 
POSIO DOS CARDINAIS 
Os numerais cardinais precedem sempre o substantivo: 
catorze dias, duas casas, cinqenta anos, cem anos. 
Exemplos contrrios, em poesia, no constituem exceo: 
"Tal no pleito c'o Oceano o Amazonas Para sorv-lo a larga foz medonha 
Lguas abre setenta!" (GONALVES DE MAGALHEs) 
A palavra cento, da qual resultou, em virtude da prclise, o meral cem, que a substituiu (como so <santo, to < tanto), 5( usa hoje na designao dos nmeros entre 
cem e duzentos, em es simples ou multiplicada, e  invarivel: 
cento e dezesseis livros, cento e oito palavras, cento e trinta 
homens. 
No portugus anteclssico aparecia at no feminino e no plur 
"E non est a velha nem som duas, 
Mais som vel centas." (Apud JLIO MOREIRA)* 
"jrmandade de cemto homes..." 
"os quaes ento irmaos..." (Apud LEITE DE VASCONCELO 
Ao tempo do Classicismo, ainda se empregava isoladamente. 
Cames aparece em quatro lugares apenas:*** 
* Jlio Moreira, Estudos da lngua portuguesa, P srie, 2 cd., 2 vois., Li Clssica, 1922, p. 105 (adies no 1? vol.). 
** J. Leite de Vasconcelos, Lies de filologia portuguesa, Lisboa, Clssica, p. 297, nota 2. 
Cf. Afrnio Peixoto e Pedro Pinto, Dicionrio de 'Os Lusadas' Rio c 
neiro, Francisco Alves, 1924, s. v. 'Cento'. 
310 
"Que pera um cavaleiro houvesse cento." (III, 43) 
"Pelos arcos reais, que cento e cento 
Nos ares se alevantam nobremente." (III, 63) 
"Nela v, como tinha por costume, 
Cursos do Sol catorze vezes cento." (V, 2) 
"Mas porm de pequenos animais 
Do mar, todos cobertos [os membros] cento e cento." (VI, 18) 
A expresso cento e cento quer dizer aos centos, s centenas. 
POSIO DOS ORDINAIS 
Os ordinais colocam-se antes ou depois do substantivo; preferente- 
mente antes, quando se quer designar as partes antes do todo: 
No quinto ms do ano. 
O segundo canto de 'Os Lusadas'. 
O primeiro sculo depois de Cristo. 
Mas tambm se diz: 
O canto segundo de 'Os Lusadas'. 
A invaso dos 1rabes foi no sculo oitavo. 
Antepem-se, Outrossim, os ordinais, em expresses fossilizadas, 
como as referentes aos dias da semana: 
tera-feira, quinta-feira. 
Na nomenclatura dos Papas, reis, e na designao dos sculos, captulos, etc., usam-se os ordinais at dcimo, e, da por diante, as formas cardinais, quando houver 
posposio: 
Capftulo terceiro 
D. Joo 1 (primeiro) 
Pio IX (nono) 
Pedro II (segundo), 
mas: 
Captulo XIII (treze) 
Pio XI (onze) 
Lus XV (quinze) 
Sculo XX (vinte) 
Antepostos,  de rigor a forma prpria ordinal: o trigsimo capftulo 
- o dcimo quinto sculo. 
311 
A partir de dcimo, so os ordinais desconhecidos da linguagen popular, e, mesmo na literria, o seu emprego tende, cada vez mais a restringir-se, principalmente 
o dos que derivam de nmeros desig nativos das centenas: ducentsimo, trecentsimo, quadringentsimo qingentsimo, sexcentsimo, setingentsimo, octingentsimo 
e non gentsimo. Empregam-se, em lugar deles, as formas cardinais. 
Os ordinais formados pelo sufixo - eno j no so usados: novenc 
dezeno, onzeno, dozeno, trezeno: 
"Foi Joane segundo e rei trezeno" (Os Lus(adis, IV, 60) 
Com nomes subsistem: novena, dezena, onzena, vintena, centen 
VALOR DE NMERO INDETERMINADO 
 corrente dar-se a certos numerais valor de nmero indeterminad 
Sobretudo a palavra mil muito tem sido usada nesse emprego: 
"Os olhos tinha prontos e direitos 
O Catual na histria bem distinta: 
Mil vezes perguntava e mil ouvia, 
As gostosas batalhas que ali via." (Os Lusadas, VIII, 43) "Mil rvores esto ao cu subindo, 
Com pomos odorferos e belos..." (Os Lusadas, IX, 56) 
"Matar pde a pitnica serpente, 
Que mortes mil havia produzido." (CAMEs - Soneto) 
"Soa o rumor fatdico dos ventos, 
Anunciando desmoronamentos 
De mil lajedos sobre mil lajedos..." (AUGUSTO DOS ANJOS) 
Junqueira Freire deu-lhe emprego prefixal: 
"Polifemos cruis, milformes hidras." 
Tambm se usa mil-e-um: 
Histrias das Mil-e-uma-noites. 
Fizeram-lhe mil-e-uma perguntas. 
Cruz e Sousa apresenta-nos belo exemplo dessa linguagem hipe 
bolicamente indefinida: 
312 
"(...) e eu baterei, por tardos luares mortos, baterei, baterei sem cessar, cheio de uma convulsa, aflitiva ansiedade, a essas sete mil portas - portas de mrmore, 
portas de bronze, portas de pedra, portas de chumbo, portas de ao, portas de ferro, portas de chama e portas de agonia - e as sete mil portas, sete mil vezes tremendamente 
fechadas a sete mil profundas chaves, nunca se abriro, e as sete mil misteriosas portas no cedero nunca, nunca, nunca." 
Outros nmeros tm sido tambm utilizados com o mesmo fim: 
Com seiscentos diabos! 
"(...) outras seiscentas artes mais." * (Apud LEITE DE VASCONCELOS, ob. cit., p. 298) 
"Aceso o charuto, fincou os cotovelos na mesa e falou a D. Severina de trinta mil coisas que no interessavam nada ao nosso Incio." (MACHADO DE Assis) 
EMPREGO DE AMBOS 
O numeral ambos, que  o nico dual em portugus, pode ser reforado em: 
ambos os dois, ambos de dois, ambos e dois, ambos a dois, a 
dois ambos: 
"O certo  que ambos os dois monges caminhavam juntos." 
(HERCULANO) 
"Ambos estes dois instrumentos." (VIEIRA) 
"Ns viemos praticando ambos de dous." (ANTNIO PRESTES) 
* . . Quando um nmero de coisas j existe consagrado pelo uso, no  de bom conselho alter-lo sob qualquer fundamento. No 1? manuscrito (o de Faria e Sousa) 
de Os Lusadas, 1, 12, estava: 
Os onze de Inglaterra e o seu Magrio. 
O grande poeta emendou, excelentemente, na edio impressa: 
Os doze de Inglaterra e o seu Magrio. 
Por onde se conserva a expresso doze de Inglaterra e inclui-se, sem somar a estes, 
o Magrio" (Joo Ribeiro, ob. cit., p. 162, nota 1). 
313 
"De ambos de dois a fronte coroada 
Ramos no conhecidos e ervas tinha." (CAMES) 
Modernamente, porm, vem-se evitando o emprego pleonstico ch 
ambos os dois, etc., embora sejam corretas aquelas expresses. 
Tm flexo feminina, dentre os cardinais, apenas um, dcis - e o 
de centenas: duzentos, trezentos, etc.: 
trinta e uma folhas - duzentas pginas. 
O NUMERAL 'UMA' 
Nas construes com o numeral wna, designativo da hora, figui 
o artigo: 
Fomos  sesso da uma hora (13 horas), no Metro. 
A urna hora batamos  porta do mdico. 
Indicando-se decurso de tempo, no haver artigo: 
Estivemos l,  noite, de uma a duas horas. 
Isso corresponde a uma hora de trabalho 
Na locuo adverbial -  uma - emprega-se o acento de cras 
Na designao das horas, diz-se: 
meio-dia e meia [hora], 
como uma e meia, trs e meia, etc. 
E no, como se ouve, s vezes: 
meio-dia e meio. 
314 
